sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Divagações do pensamento...

Será possivel ficarmos presos à nossa liberdade? Isto é ansiarmos tanto ser livres, desprendidos de tudo e acabarmos por ficar presos a essas ânsias... presos de tal forma que já não conseguimos conceber a vida de outra forma e sempre que algo ou alguém mexe um pouco conosco sentimos um medo terrivel de nos apegarmos a isso e então fugimos...

Penso que sim, que é possivel ficarmos presos à nossa liberdade, pelo menos parece-me que alguém que eu conheço o está...

É estranho embora pense que sou livre, se tiver vontade de viver algo, não sinto esse medo tão catastrófico da possibilidade de ficar apegada...

Acho que tudo faz parte...

Para vivermos em pleno, devemos viver de tudo um pouco..!

But, hey that's just me...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Go easy on me...

Voltemos aos monólogos que motivaram a criação deste blog...

O divã tem sido palco de diversos monólogos, uns de partir o coração, outros de dar caimbrãs nos abdominais de tanto que nos fazem rir... isto se fossem ouvidos ou lidos claro..!

Mas no divã tudo permanece no interior de cada um, e para no ar um ambiente um pouco perturbador nesses instantes, como se houvesse um mistério por resolver e esse mistério nos sugasse, nos pedisse, implorasse até que o tentássemos resolver...

Mas de seguida a melancolia provocada pelos monólogos desaparece e logo a alegria retoma ao divã...

Uma alegria tão simples que nos invade como um novo mistério, mas que não pede ressolução, apenas traz a paz e a tranquilidade e agradecemos por esse momento e ficamos revitalizados...

E quando precisamos de um novo monólogo pensamos "go easy on me I can hand what I'm doing..." e a paz recomeça!!!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Fez-se luz!

E de repente fez-se luz, diz a Pi e muito bem, que tudo tem uma explicação ainda que não se encontre de imediato..!

True story..!

E a explicação encontra-se nos sitios mais improváveis, pode ser simplesmente despoletada por um livro!

Tal e qual... Recomendo por isso que leiam o "Livro do riso e do esquecimento de Milan Kundera..!

Talvez se faça luz para vocês também!!!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

E tudo e tudo...

E tudo recomeça... dia após dia...

Voltas ao ínicio... avanças retrocedes...

Também é assim no divã...

Muda de sitio, começa de novo e no fim acaba por voltar ao mesmo..!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"do you believe there's a lack of colors here?!"

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Cap ou pas cap?!

E assim um dia acordas e percebes que deixaste tanta coisa passar-te ao lado...

... tantas vezes por medo...

... e outras tantas pela crença ilusória da juventude eterna!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Hoje foi o dia!

Sexta-feira à noite, planos furados, escapei-me de um concerto que não queria ir muito ver, acedi a um jantar a que não queria muito ir, e dei uma escapadela até aos armazéns para encontrar um óleo de massagens que queria muito usar...

Não encontrei o tal óleo, de chocolate e simplesmente delicioso, mas (re)encontrei-me no meio dessa escapadela!

Fui ao starbucks, simplesmente porque adoro passear por Lisboa à noite, com o meu café quente na mão e a alma a divagar... por aqui e por ali...

E de repente dei por mim, embalada num (e)terno abraço do mundo, a ser feliz... como sou sempre com as pequenas coisas...

A sentir a magia borbulhar dentro de mim...

Adoro este sentir, sou até um pouco viciada, não o procuro, mas acabo sempre por o encontrar... este sentir de que não há nada mais fantástico que o aqui e o agora, que não há nada mais fantástico hoje, do que esta noite calma, do que o espectáculo de luzes da cidade, do que a forma das sombras perante essas luzes...

E apeteceu-me ficar, mais um pouquinho, nesta suave harmonia dentro de mim, nesta doce melodia, que a felicidade pura e simples tem o dom de causar!

Sou feliz, simplesmente porque navego livre neste mar de sensações, de estimulos, de pequenas grandes alegrias e dou por mim de novo viciada neste sentir!

Viciada neste bem-estar...

Adorava saber como demonstrá-lo, como poder partilhá-lo, como poder encontrá-lo nos dias menos bons, mas surge do simples, do pequeno, do que tantas vezes passa despercebido!

E adoro, adoro, adoro estes mimos que o mundo me dá, estes doces abraços, este doce sentir...

E todas as dúvidas se dissipam, porque não há nada mais maravilhoso que "seize the day"!!!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

E o teu coração qual é?!

´Há muitos tipos de corações. Há corações pequenos e tímidos, há corações grandes e abertos, há corações onde é preciso meter requerimentos de papel azul e selo de garantia para abrirem as portas e outros cheios de janelas, frescos e arejados. Há corações com trancas, ...segredos e sistema de alarme que são como cofres de bancos. Corações sombrios e desconfiados, com fechaduras secretas e portas falsas. Corações que parecem simples, mas quando se entra lá dentro, espera-nos o mais perverso dos labirintos. E há corações que são como jardins públicos, onde pessoas de todas as idades podem entrar e descansar. Há corações que são como casas antigas, cheios de mistérios e fantasmas, com jardins secretos e sótãos poeirentos, carregados de memórias e recordações e há corações simples e fáceis de conhecer, descontraídos e leves, sempre em férias como tendas de campismo. Há corações viajantes, temerários e corajosos, como barcos à vela que nos parecem bonitos ao longe, mas que nos deixam sempre na boca o sabor amargo de nunca os conseguirmos abarcar... Há corações missionários, despojados e enormes. Há corações que são paquetes de luxo, onde o requinte é a palavra-chave para baterem... Há corações que são como borboletas e voam de um lado para o outro sem parar, numa pressa ansiosa de viver tudo antes que a vida se acabe. Há corações que são como elefantes do zoo, muito grandes, pacíficos e passivos que aceitam viver limitados pelos outros e que até tocam o sino se os tratarmos bem e lhes dermos mimos e corações aventureiros, sempre prontos para partir em difíceis expedições e se ultrapassarem a si mesmos. Há corações rebeldes e selvagens que não suportam laços nem correntes, corações que correm tão depressa como chitas e matam como leoas, e depois há corações gnus, que sabem que vão ser caçados mas não fogem ao seu destino... Há corações que são como rosas, caprichosas e cheios de espinhos e outros que são campainhas, simplórios e carentes sempre a chamar por afecto. Há corações que são como girassóis, rodando as suas paixões ao sabor do brilho e da glória e corações como batata-doce, que só crescem e se alimentam se estiverem bem guardados e escondidos debaixo da terra. Há corações que são como pianos, altivos e majestosos onde só tocam os que possuem a arte de bem seduzir. E corações como harpas, onde uma simples festa provoca uma sinfonia. Há corações incondicionais que vivem tão maravilhados em descobrir a grandeza de outros corações que às vezes se esquecem de si próprios... Há corações estrategas, que batem ao ritmo de esquemas e planos, corações transgressores que vivem para amar clandestinamente e só sabem desejar o proibido e corações conservadores, que só se entregam quando tudo é de acordo com os seus padrões e valores. Há corações a motor, que vivem só para o trabalho e corações poetas só se alimentam de sonhos e ilusões. Há corações teatrais, para quem a vida é uma comédia ou uma tragédia e corações cinéfilos que registam a beleza de cada momento em frames de paixão. Há corações duros como aço, sem arritmias, onde nada risca e faz mossa e corações de plasticina que se moldam às formas dos corações que amam. Há corações de papel, bonitos e frágeis que se amachucam facilmente e desbotam à primeira lágrima, há corações de vidro que quando se estilhaçam nunca mais se recompõem e corações de porcelana que depois de se partirem ainda sabem colar os destroços e começar de novo. Há corações orientais, espiritualizados e serenos e corações ocidentais hedonistas e ambiciosos, corações britânicos onde tudo é meticulosamente arrumado segundo costumes e convenções, latinos que batem ao som da paixão e da loucura. Há corações de uma só porta que são como grandes casas de família e outros de duas portas, uma para a sociedade e outra para a intimidade. Há corações que são como conventos, silenciosos e enclausurados e outros que são como hotéis, onde se paga o amor sem amor, escandalosos e promiscuos. Há corações parasitas, que vivem do afecto dos outros sem nada dar e corações dadores que só são felizes na entrega. Mas há ainda uma ou outra espécie de corações, os corações hospedeiros que sabem receber e fazem sentir os outros corações como se estivessem em casa, que dão e aceitam amor sem se fixarem, que tratam cada passageiro como se fosse o último, enquanto procuram o coração gémeo, sempre na esperança, secreta e nunca perdida de um dia deixarem de viajar e sossegarem para a vida.´


Margarida Rebelo Pinto

in "Crónicas da Margarida"